TRATAMENTO ETNOFARMACOLÓGICO DE SINTOMAS VULVOVAGINAIS POR MULHERES DA BAIXADA MARANHENSE | ETHNOPHARMACOLOGICAL MANAGEMENT OF VULVOVAGINAL SYMPTOMS BY WOMEN FROM THE LOWLANDS OF MARANHÃO

Publicado em 28/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2653-6

Título do Trabalho
TRATAMENTO ETNOFARMACOLÓGICO DE SINTOMAS VULVOVAGINAIS POR MULHERES DA BAIXADA MARANHENSE | ETHNOPHARMACOLOGICAL MANAGEMENT OF VULVOVAGINAL SYMPTOMS BY WOMEN FROM THE LOWLANDS OF MARANHÃO
Autores
  • Alanna mylla costa leite
  • Isabele Macedo da Silva
  • Kellyana Menezes Aragão
  • João Alexandre Salomão de Carvalho
  • Vandilson Pinheiro Rodrigues
  • MARIA DO DESTERRO SOARES BRANDAO NASCIMENTO
  • Mayara Cristina Pinto da Silva
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Geral
Data de Publicação
28/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-workshop-internacional-em-doencas-cronicas-e-negligenciadas-725262/1622222-tratamento-etnofarmacologico-de-sintomas-vulvovaginais-por-mulheres-da-baixada-maranhense--%7c-ethnopharmacologica
ISBN
978-65-272-2653-6
Palavras-Chave
Sintomas vulvovaginais, Candidíase vulvovaginal, Etnofarmacologia
Resumo
Introdução Os sintomas vulvovaginais constituem importante causa de desconforto ginecológico em mulheres em idade reprodutiva, estando frequentemente associados a infecções do trato genital inferior e alterações da microbiota vaginal. Entre essas condições, a candidíase vulvovaginal (CVV) destaca-se pela elevada prevalência, recorrência e impacto na qualidade de vida (Martinez-García et al., 2023; Sobel et al., 2023). Embora o tratamento convencional seja baseado em antifúngicos tópicos e sistêmicos, recorrências, resistência medicamentosa e efeitos adversos têm estimulado a busca por terapias complementares, especialmente o uso de plantas medicinais (Cruz et al., 2022; Chauhan et al., 2024). Nesse contexto, a etnofarmacologia contribui para a compreensão e valorização dos conhecimentos tradicionais relacionados ao uso terapêutico de recursos vegetais. Na Baixada Maranhense, esses saberes integram o cotidiano de muitas mulheres no manejo empírico de sintomas ginecológicos, embora ainda existam lacunas científicas sobre sua utilização, origem e percepção de eficácia (Araújo; Sousa; Ferreira, 2019; Chauhan et al., 2024). Objetivo Investigar o uso de plantas medicinais no manejo de sintomas sugestivos de candidíase vulvovaginal entre mulheres da Baixada Maranhense, Nordeste do Brasil. Método Trata-se de um estudo de método misto, com abordagem quantitativa e análise qualitativa complementar, de delineamento transversal, realizado entre outubro de 2024 e agosto de 2025. A pesquisa foi desenvolvida em Unidades Básicas de Saúde (urbanas e rurais) e em um hospital regional de referência no município de Pinheiro, Maranhão. A amostragem foi por conveniência, totalizando 153 participantes mulheres (18 a 50 anos), sexualmente ativas e residentes na região. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado adaptado de instrumentos epidemiológicos e etnobotânicos, contendo variáveis sociodemográficas, clínicas e ginecológicas autorreferidas, além de dados etnofarmacológicos. Os dados quantitativos foram submetidos à estatística descritiva e testes de associação no software Jamovi (versão 2.3.24.0). Os dados qualitativos das respostas abertas foram submetidos à análise temática simples baseada em Braun e Clarke (2006). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMA (Parecer nº 7.163.938). Resultados e Discussão Os resultados evidenciaram uma elevada frequência do uso de plantas medicinais (50,3%), independentemente de variáveis sociodemográficas como idade, renda, escolaridade ou local de moradia, sugerindo que o uso transcende determinantes clássicos e se configura como prática cultural amplamente disseminada (Universidade Aberta do Sus, 2021; Freitas, 2024). Do ponto de vista etnofarmacológico, destacaram-se como espécies mais citadas pelas participantes a aroeira (Myracrodruon urundeuva), o barbatimão (Stryphnodendron adstringens) e a unha-de-gato (Uncaria tomentosa), reconhecidas na medicina tradicional por propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes (Lorenzi; Matos, 2002; Martins et al., 2014). As formas de preparo incluíram chás e banhos de assento, com expressiva menção às garrafadas (24,2%). Essas formulações compostas agregam múltiplas espécies vegetais e são atribuídas a significados simbólicos como a “limpeza uterina”, prevenção de corrimentos vaginais ou tratamento de inflamações. A recorrência dessas plantas sugere que a escolha terapêutica está associada à transmissão de conhecimento entre gerações. A presença simultânea de espécies com potencial ação anti-inflamatória e adstringente reflete uma busca empírica pelo alívio de sintomas como corrimento e prurido, reforçando a relevância do cuidado etnofarmacológico, sem assumir equivalência com terapias convencionais. Entretanto, a ausência de padronização quanto à composição, dosagem e tempo de uso levanta preocupações sob a ótica da farmacovigilância, pois o uso indiscriminado pode resultar em toxicidade ou irritação de mucosas (WHO, 2013). Do ponto de vista da saúde pública, o uso extensivo observado dialoga com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (Brasil, 2006), evidenciando a necessidade de ações educativas para o uso seguro dessas plantas na Atenção Primária à Saúde. Conclusão O uso de plantas medicinais constitui uma prática frequente e enraizada no manejo de sintomas vulvovaginais pela população estudada, desempenhando papel relevante nos itinerários terapêuticos das mulheres. Os achados reforçam a importância de reconhecer essas práticas no contexto do Sistema Único de Saúde, bem como a necessidade de estratégias de educação em saúde e farmacovigilância que promovam o uso seguro, informado e integrado da flora medicinal voltada à saúde da mulher adulta. Introduction Vulvovaginal symptoms are a significant cause of gynecological discomfort in women of reproductive age, frequently associated with lower genital tract infections and alterations in the vaginal microbiota. Among these conditions, vulvovaginal candidiasis (VVC) stands out due to its high prevalence, recurrence, and impact on quality of life (Martinez-García et al., 2023; Sobel et al., 2023). Although conventional treatment is based on topical and systemic antifungals, recurrences, drug resistance, and adverse effects have stimulated the search for complementary therapies, especially the use of medicinal plants (Cruz et al., 2022; Chauhan et al., 2024). In this context, ethnopharmacology contributes to the understanding and appreciation of traditional knowledge related to the therapeutic use of plant resources. In the Baixada Maranhense region, this knowledge is integrated into the daily lives of many women in the empirical management of gynecological symptoms, although there are still scientific gaps regarding its use, origin, and perceived effectiveness (Araújo; Sousa; Ferreira, 2019; Chauhan et al., 2024). Objective To investigate the use of medicinal plants in the management of symptoms suggestive of vulvovaginal candidiasis among women from the Lowlands of Maranhão, Northeast Brazil. Method This is a mixed-method, cross-sectional study with a quantitative approach and complementary qualitative analysis, conducted between October 2024 and August 2025. The research was developed in Primary Health Care Units (urban and rural areas) and in a regional reference hospital in the municipality of Pinheiro, Maranhão. Sampling was by convenience, totaling 153 female participants (aged 18 to 50 years), sexually active, and residents of the region. Data collection was performed through a structured questionnaire adapted from epidemiological and ethnobotanical instruments, containing self-reported sociodemographic, clinical, and gynecological variables, as well as ethnopharmacological data. Quantitative data were submitted to descriptive statistics and association tests using Jamovi software (version 2.3.24.0). Qualitative data from open-ended responses were subjected to simple thematic analysis based on Braun and Clarke (2006). The study was approved by the Research Ethics Committee of UFMA (Opinion No. 7.163.938). Results and Discussion The results showed a high frequency of medicinal plant use (50.3%), regardless of sociodemographic variables such as age, income, education, or place of residence, suggesting that this use transcends classical determinants and configures itself as a widely disseminated cultural practice (Universidade Aberta do Sus, 2021; Freitas, 2024). From an ethnopharmacological perspective, the most cited species by the participants were aroeira (Myracrodruon urundeuva), barbatimão (Stryphnodendron adstringens), and unha-de-gato (Uncaria tomentosa), which are recognized in Brazilian traditional medicine for their anti-inflammatory, antimicrobial, and healing properties (Lorenzi; Matos, 2002; Martins et al., 2014). The preparation methods included teas and sitz baths, with a significant mention of garrafadas (24.2%). These compound formulations aggregate multiple plant species and are attributed symbolic meanings such as "uterine cleansing", prevention of vaginal discharge, or treatment of inflammation. The recurrence of these plants suggests that the therapeutic choice is associated with the transmission of knowledge across generations. The simultaneous presence of species with potential anti-inflammatory and astringent actions reflects an empirical search for the relief of symptoms such as discharge and pruritus, reinforcing the relevance of ethnopharmacological care, without assuming equivalence with conventional pharmacological therapies. However, the lack of standardization regarding composition, dosage, and length of use raises relevant concerns from a pharmacovigilance perspective, as indiscriminate use can result in toxicity or mucosal irritation (WHO, 2013). From a public health standpoint, the extensive use observed dialogues with the National Policy on Integrative and Complementary Practices (Brasil, 2006), highlighting the need for educational actions for the safe use of these plants in Primary Health Care. Conclusion The use of medicinal plants constitutes a frequent and deeply rooted practice in the management of vulvovaginal symptoms by the studied population, playing a relevant role in women's therapeutic itineraries. The findings reinforce the importance of recognizing these practices within the context of the Unified Health System (SUS), as well as the need for health education and pharmacovigilance strategies that promote the safe, informed, and integrated use of medicinal flora focused on adult women's health. Referências/Reference BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77-101, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. 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Título do Evento
VI Workshop Internacional em Doenças Crônicas e Negligenciadas
Título dos Anais do Evento
Anais do Workshop Internacional em Doenças Crônicas e Negligenciadas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

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LEITE, Alanna mylla costa et al.. TRATAMENTO ETNOFARMACOLÓGICO DE SINTOMAS VULVOVAGINAIS POR MULHERES DA BAIXADA MARANHENSE | ETHNOPHARMACOLOGICAL MANAGEMENT OF VULVOVAGINAL SYMPTOMS BY WOMEN FROM THE LOWLANDS OF MARANHÃO.. In: Anais do Workshop Internacional em Doenças Crônicas e Negligenciadas. Anais...São Luís(MA) PPGSAD-UFMA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-workshop-internacional-em-doencas-cronicas-e-negligenciadas-725262/1622222-TRATAMENTO-ETNOFARMACOLOGICO-DE-SINTOMAS-VULVOVAGINAIS-POR-MULHERES-DA-BAIXADA-MARANHENSE--%7c-ETHNOPHARMACOLOGICA. Acesso em: 29/08/2026

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